Escala 6x1 em MT: trabalhadores, empresários e sindicatos divergem sobre mudanças; veja o que pode impactar no estado

  • 06/04/2026
(Foto: Reprodução)
Fim da escala 6x1? Entenda o que pode mudar na jornada de trabalho A escala 6 por 1 — modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias e descansa um — voltou ao centro do debate no país com a discussão de propostas que podem alterar a forma como a carga horária é distribuída. Em Mato Grosso, trabalhadores, empresários e representantes sindicais divergem sobre os possíveis impactos das mudanças. O projeto propõe reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, substituindo o modelo atual de seis dias trabalhados com uma folga por uma escala de cinco dias com duas folgas semanais, sem redução salarial. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp O que dizem os trabalhadores? Um trabalhador ouvido pelo g1, que vivencia a escala seis por um e não quis ter a identidade divulgada, defende que o modelo seja reavaliado no Brasil com urgência. Ele afirmou que não consegue descansar de forma adequada em um único dia de folga e que o tempo livre acaba sendo consumido por tarefas pendentes ou pelo cansaço acumulado ao longo da semana. O trabalhador relatou ainda que chegou a pedir demissão de um emprego anterior, também com escala seis por um, após ser diagnosticado com princípio de burnout. Para ele, a rotina exige planejamento constante e limita até mesmo atividades simples do dia a dia. "Gostaria que as pessoas que não vivem essa realidade entendessem que nós não estamos na mesma situação. No pouco tempo livre que temos, já há coisas para resolver ou estamos muito cansados. Tudo precisa ser planejado com antecedência" disse. Já a analista comercial Marli Nato Ferreira, de 34 anos, que trabalha no mesma modalidade de escala, contou ao g1 que a rotina traz impactos físicos e emocionais. Segundo ela, o ritmo de trabalho diário resulta, em alguns momentos, em alimentação inadequada e, por consequência, afetam a sua saúde. Marli afirmou que, mesmo no dia de folga, continua cuidando de tarefas domésticas e usando o tempo que seria de descanso para resolver demandas do dia a dia, como fazer compras da semana, ir ao médico e cuidar da própria saúde. Formada em administração, a profissional afirmou ainda que a jornada de trabalho já a impediu de fazer cursos profissionalizantes. "Essa escala é um pouco exaustiva, né? Acredito que o fim dela seria uma opção boa [...] A sobrecarga de trabalho é prejudicial à saúde física e emocional, provoca desgaste e pouca qualidade de vida," declarou Mari. O impacto nos jovens As jovens Eduarda Almeida Alves da Silva, de 19 e Gabrielly da Silva Cruz, de 20 anos, ambas funcionárias de uma loja de chocolates da capital, relatam que o pouco tempo livre que têm acaba sendo usado para descansar e também para se dedicar a atividades como a faculdade. "Sinto que estou sempre cansada e acabo ficando estressada com o trabalho. No tempo que me resta, geralmente durmo bastante, fazer atividades da faculdade e tentar relaxar um pouco", comentou Eduarda. Por sua vez, Gabrelly destacou a rotina exaustiva de para quem trabalha com atendimento ao público. "Quem não vive a escala 6 por 1 muitas vezes não entende o quanto é puxado. A gente quase não tem tempo pra descansar, resolver coisas pessoais ou aproveitar a vida ainda mais quem trabalha no shopping", afirmou. O que dizem os empresários Por outro lado, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (FACMAT) se posicionou contra a PEC 148/2015, defendendo que a redução da jornada de trabalho, sem medidas compensatórias, pode aumentar custos, afetar empregos e reduzir a competitividade, especialmente em regiões e setores mais vulneráveis. A entidade avalia que o Brasil ainda não tem base econômica e produtiva suficiente para essa mudança. É evidente que todos desejamos estar mais perto de nossas famílias e ter melhor qualidade de vida. Esse objetivo é legítimo, humano e socialmente relevante. Entretanto, a FACMAT reafirma que a simples redução da jornada de trabalho, sem análise ampla dos impactos econômicos, sociais e regionais que isso pode causar, definitivamente não é a solução, nem o caminho mais adequado, neste momento, para alcançarmos esse objetivo no Brasil", declarou o Presidente da FACMAT, Jonas Alves, em nota. A FACMAT ainda afirma que, em estados como Mato Grosso, o desenvolvimento econômico depende fortemente da força empreendedora regional, da interiorização das atividades, da integração entre comércio, serviços, construção civil, logística e cadeias produtivas vinculadas ao agronegócio. Segundo eles, essas atividades exigem operação contínua, escalas adaptáveis e capacidade de resposta rápida às oscilações do mercado. Em contrapartida, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) disse que o tema não encontra resistência por parte da maioria dos empreendedores brasileiros. Segundo levantamento feito pela instituição, 47% dos donos de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, avaliam que a medida não teria impacto sobre seus negócios. A 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae entre novembro e dezembro de 2024), indica que 1/3 (cerca de 32%, dos empreendedores acha que a medida será prejudicial para o próprio negócio. Entre os segmentos que não preveem impactos negativos para as atividades, os destaques são os setores de academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa. Desde 2023, os pequenos negócios, responsáveis por cerca de 80% do saldo de emprego do país. Já a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), afirmou que, junto com Conselho Temático de Relações de Trabalho, está em diálogo com lideranças sindicais sobre o assunto. Com apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), foi realizada uma pesquisa de sondagem com os sindicatos industriais para subsidiar o debate com dados e percepções do setor, além de um evento com o Observatório de Mato Grosso para apresentação de estudo com a realidade do estado. A Fiemt aponta que a preocupação em relação à redução da jornada para 40 horas, é a possibilidade de elevar significativamente os custos, reduzir a produtividade e afetar a competitividade das empresas. O estudo estima que, para manter o nível de produção, o custo da folha pode subir R$ 5,1 bilhões com pagamento de horas extras ou R$ 3,4 bilhões com novas contratações. A Federação afirma que, em ambos os cenários, há aumento significativo dos custos para o setor produtivo. "Segundo o levantamento do IEL, 82,61% dos dirigentes sindicais industriais percebem impacto negativo na produtividade com alteração da jornada. Entre os principais efeitos apontados na pesquisa pelos empresários estão o aumento do custo do produto final (86,96%), o crescimento das despesas com horas extras (80,43%) e a redução da produção (78,26%). Também foram citados os impactos diretos na competitividade e na operação aos fins de semana (58,70%)" diz a Federação em publicação recente. O que dizem os sindicatos? Ao g1, o presidente do Sindicato do Comércio de Cuiabá, Olavo Dourado Boa Sorte Filho, afirmou que essa escala é excessiva, pois faz com que o trabalhador ultrapasse as 44 horas semanais previstas em lei, o que prejudica a qualidade de vida e, consequentemente, a produtividade. "Já esta provado que dá certo em vários países desenvolvidos, só depende da gente arriscar. Não podemos ter medo, temos que enfrentar.[...] O trabalhador brasileiro não tem medo de trabalhar, ele tá pronto para tudo. [...] Porém com uma qualidade melhor, de saúde, de gozar um pouco mais da vida, passear um pouco mais, com a valorização do trabalhador, ele trabalha com mais alegria e produz mais", disse o presidente. Fim da escala 6x1: estudo da Fiep aponta queda no PIB e risco de desemprego 🔎 O que o texto propõe? Com o objetivo de acelerar a tramitação, o governo federal anunciou, que deve enviar ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência. A proposta prevê a fixação da jornada em, no máximo, 40 horas semanais, com escala de cinco dias de trabalho e duas folgas, sem redução salarial. 🔎Projetos com urgência de autoria do presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja analisado em até 45 dias pela a Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado. A discussão, que ganhou força nas redes sociais, avançou em 2025 com a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), impulsionada pela mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que pede a revisão da escala 6x1. O texto foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em fevereiro, e depois deverá ser votado no parlamento. No Senado, uma proposta semelhante foi aprovada em dezembro na CCJ, após dez anos travada na Casa, porém ainda não foi levada ao plenário pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O texto a ser enviado pelo Executivo deve unificar as diferentes propostas em tramitação nas Casas por meio de um projeto de lei, instrumento que também permitirá ao governo sancionar ou vetar o conteúdo aprovado ao final da tramitação. O impacto na saúde Para o Dr. Rodrigo Brito, psicólogo, doutor em Estudos de Linguagem (UFMT) e especialista em Gestão Pública (IFMT), o regime de trabalho impacta diretamente no desenvolvimento humano. “A escala 6x1 é um modelo que tende a aumentar os riscos de adoecimento do trabalhador com quadros de estresse, transtornos de ansiedade e a Síndrome de Burnout”, explicou. O psicólogo também destacou que esse tipo de escala pode afetar inclusive o aperfeiçoamento profissional e acadêmico dos trabalhadores. “Também é importante frisar que a jornada 6x1 limita o crescimento pessoal, como os estudos e as relações interpessoais. O trabalhador ou a trabalhadora também precisam cuidar de suas famílias, sendo a limitação imposta pela escala 6x1 o fator de dificuldade para o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal/familiar”, afirmou. Brito ainda esclarece que um dia a mais de descanso pode inclusive melhorar a produtividade do trabalhador. “A mudança pode resultar no aumento da motivação, da criatividade, da sociabilidade, do convívio familiar, trazendo resultados positivos em vários campos da vida”. O que é a escala 6x1? A escala 6 por 1 é uma jornada de trabalho onde o funcionário atua por seis dias consecutivos e descansa um, totalizando 44 horas semanais, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Comum em comércios e restaurantes, a folga varia, mas garante um domingo de descanso no mês. É frequentemente chamada de "escala de revezamento" ou "trabalho 6 dias por 1 folga". Cuiabá e Várzea Grande Prefeitura de Cuiabá/Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/04/06/escala-6x1-em-mt-trabalhadores-empresarios-e-sindicatos-divergem-sobre-mudancas-veja-o-que-pode-impactar-no-estado.ghtml


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