Piloto de MS que morreu em queda de avião em SP já teve aeronave apreendida com droga
18/04/2026
(Foto: Reprodução) Avião monomotor cai em área rural e mata piloto no interior de SP
O piloto que morreu na queda de um avião em uma área rural de Altair (SP), na madrugada deste sábado (18), foi identificado como Gabriel Bispo Gonçalves, morador de Ponta Porã (MS). Ele já havia sido condenado em um caso investigado pela Polícia Federal e pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) que envolvia o uso de aeronaves para o transporte de drogas.
Gabriel foi alvo da Operação Flight Radar, deflagrada pela PF em 2023. A investigação começou após a apreensão de um avião em dezembro de 2022, no aeródromo de Fátima do Sul (MS), depois de uma interceptação feita pela Força Aérea Brasileira (FAB). A operação buscava identificar outras pessoas envolvidas no uso da aeronave, que era suspeita de ser utilizada no tráfico internacional de drogas.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp
Na época, embora Gabriel fosse apontado como dono do avião, quem pilotava a aeronave no momento da apreensão era outro homem, que acabou preso em flagrante. Ele foi autuado por atentado contra a segurança do transporte aéreo e associação para o tráfico transnacional de drogas.
Em depoimento, o piloto contou que havia saído de Campo Grande com destino à região de fronteira com o Paraguai, onde carregaria cerca de 300 quilos de cocaína. A droga seria levada até São Paulo, e ele receberia R$ 80 mil pelo transporte. No entanto, a operação não foi concluída: ao ser avisado de que poderia ser interceptado por forças policiais, ele decolou às pressas, sem a carga.
LEIA MAIS:
Piloto é preso e avião que seria usado para transportar droga é apreendido em MS
PF inicia operação para investigar aeronave usada no transporte de droga que foi apreendida em MS
Identificado, piloto que morreu carbonizado na queda de monomotor em SP já foi condenado por transportar drogas em avião
Durante a abordagem, a polícia também identificou irregularidades. A licença do piloto estava vencida desde 2018, e a aeronave não tinha autorização para voar, já que o certificado de aeronavegabilidade estava suspenso. Além disso, foi encontrado um pequeno volume de maconha com o suspeito.
Aeronave que caiu também estava irregular
Destroços do avião monomotor Cessna, que caiu na madrugada deste sábado (18), em área de canavial em Altair (SP): piloto morreu carbonizado
Muryel Boian/TV TEM
O avião pilotado por Gabriel no acidente deste sábado também apresentava problemas na documentação. O monomotor, modelo Cessna U206E, estava com o certificado de aeronavegabilidade suspenso desde o dia 9 deste mês, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Isso significa que a aeronave não poderia estar em operação.
O avião caiu por volta de 0h45 em uma fazenda na região de uma usina de cana-de-açúcar. Um funcionário relatou ter visto um clarão seguido de incêndio, o que levou ao acionamento do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
Quando as equipes chegaram ao local, encontraram destroços espalhados pelo canavial. A área foi isolada para perícia.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à FAB, foi acionado e vai investigar as causas da queda. Até o momento, não há confirmação sobre o que provocou o acidente.
Gabriel Bispo Gonçalves morreu carbonizado em queda de avião em Altair (SP)
Arquivo pessoal
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: